Tik Tok e o Fahrenheit 451

Olá pessoas, como vocês estão?

Ultimamente ando pensando muito sobre como nós estamos condicionados pela internet a consumir coisas rasas, ou até óbvias como se tratasse de algo fenomenal. Claro que isso é baseado no meu achismo, mas se você acompanha esse blog, sabe que você está errado em me levar a sério, mas vamos lá.

Photo by PH romao on Unsplash

Hoje muitos conteúdos são construídos para que sejam consumidos da forma mais rápida possível, ok, talvez eu esteja sendo um pouco generalista em dizer isso, mas vamos combinar que com a chegada dos snaps, posteriormente stories, tik tok e shorts, parece que estamos criando uma comunidade que está fadada a sempre consumir coisas num menor tempo possível e sem muita profundidade, é como ler uma obra, mas na verdade não ler ela por completo, pensar e debater sobre, mas apenas pegar um resumo se auto sabotar pensando que realmente você entende sobre aquele assunto tanto quanto o autor ou especialista.

Além de ser um conteúdo raso, pois querendo ou não, não há como você discutir por 1 minuto uma solução de como acabar com o racismo por exemplo, é muito mais profundo que isso, além de claro de informações pipocando na nossa cara a todo momento e por isso, a informação que você conseguiu no primeiro stories você nem lembra mais, porque você já assistiu uns quarenta dentro de uma hora.

Mas nada pode ser tão ruim que não possa piorar, porque não só as leituras estão totalmente enxutas, como também agora você pode aumentar para 2x a velocidade de um vídeo, filme ou série, por isso eu tenho a sensação de que estamos criando uma geração de pessoas ansiosas em que não se importam mais com a qualidade de uma obra em si, mas de consumir o máximo que puder em menor tempo possível.

Acredito que é neste meio do caminho que a arte perde o seu objetivo, de não ser algo a ser consumido como um produto em si, mas de despertar a nossa autocrítica, de nos tirar da zona de conforto (odeio essa expressão), de nos pegar pelo colarinho, olhar fundo nos nossos olhos e dizer algo como "Sabe aquela ideia que você tinha? Então, e seu eu pegar ela e virar de ponta cabeça e mostrar para você uma nova perspectiva, como você vai lidar com isso?", com o mundo cada vez mais acelerado e raso, o que temos é apenas nós, uma grande população competindo uma corrida não declarada de quem consome mais em menos tempo.

Isso obviamente me faz lembrar da obra do Bradbury, principalmente no momento em que o Capitão Beatty chega para o Montag e informa que os livros são queimados não porque o governo declarou que isso era importante, mas porque as pessoas por livre vontade optaram por sempre dar espaço para conteúdos cada vez mais enxutos e sem profundidade, pois assim não seria mais despertado a vontade do pensar e poderíamos viver numa vida totalmente ilusória em que tudo é bonito e divertido.

Sinceramente eu não sei se realmente todo o mundo vai para esse lugar sombrio de Fahrenheit 451, no entanto se isso acontecer, eu espero acabar no lado dos que estão abertos para o conhecimento e no fim não acabar morto dentro da minha casa em chamas com os meus livros.

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